1-Pais e Filhos
Estátuas e cofresE paredes pintadasNinguém sabe o que aconteceuEla se jogou da janela do quinto andarNada é fácil de entender.
Dorme agora:É só o vento lá fora.Quero coloVou fugir de casaPosso dormir aquiCom você?Estou com medo tive um pesadeloSó vou voltar depois das três.
Meu filho vai terNome de santoQuero o nome mais bonito.
Refrão:É preciso amar as pessoasComo se não houvesse amanhãPorque se você parar pra pensar,Na verdade não há.
Me diz por que o céu é azulMe explica a grande fúria do mundoSão meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãeMas meu pai vem me visitarEu moro na rua, não tenho ninguémEu moro em qualquer lugarJá morei em tanta casa que nem me lembro maisEu moro com meus pais.
Refrão:É preciso amar as pessoasComo se não houvesse amanhãPorque se você parar pra pensar,Na verdade não há.
Sou a gota d'águaSou um grão de areiaVocê diz que seus pais não entendemMas você não entende seus pais.Você culpa seus pais por tudoIsso é absurdoSão crianças como você.O que você vai serQuando você crescer.
2-Tempo PerdidoDorme agora:É só o vento lá fora.Quero coloVou fugir de casaPosso dormir aquiCom você?Estou com medo tive um pesadeloSó vou voltar depois das três.
Meu filho vai terNome de santoQuero o nome mais bonito.
Refrão:É preciso amar as pessoasComo se não houvesse amanhãPorque se você parar pra pensar,Na verdade não há.
Me diz por que o céu é azulMe explica a grande fúria do mundoSão meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãeMas meu pai vem me visitarEu moro na rua, não tenho ninguémEu moro em qualquer lugarJá morei em tanta casa que nem me lembro maisEu moro com meus pais.
Refrão:É preciso amar as pessoasComo se não houvesse amanhãPorque se você parar pra pensar,Na verdade não há.
Sou a gota d'águaSou um grão de areiaVocê diz que seus pais não entendemMas você não entende seus pais.Você culpa seus pais por tudoIsso é absurdoSão crianças como você.O que você vai serQuando você crescer.
Todos os dias quando acordo,Não tenho mais o tempo que passouMas tenho muito tempoTemos todo o tempo do mundo.
Todos os dias antes de dormir,Lembro e esqueço como foi o dia"Sempre em frente,Não temos tempo a perder".
Nosso suor sagradoÉ bem mais belo que esse sangue amargoE tão sérioE selvagem,selvagem;selvagem.
Veja o sol dessa manhã tão cinzaA tempestade que chega é da cor dos teusOlhos castanhosEntão me abraça forteMe diz mais uma vezQue já estamos distantes de tudoTemos nosso próprio tempo,Temos nosso próprio tempo,Temos nosso próprio tempo.
Não tenho medo do escuro,Mas deixe as luzes acesas agora,O que foi escondido é o que se escondeu,E o que foi prometido,Ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido;Somos tão jovens,tão jovens,tão jovens.
3-Faroeste Caboclo
Não tinha medo o tal João de Santo CristoEra o que todos diziam quando ele se perdeuDeixou pra trás todo o marasmo da fazendaSó pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu
Quando criança só pensava em ser bandidoAinda mais quando com um tiro de soldado o pai morreuEra o terror da cercania onde moravaE na escola até o professor com ele aprendeuIa pra igreja só pra roubar o dinheiroQue as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferenteSentia que aquilo ali não era o seu lugarEle queria sair para ver o marE as coisas que ele via na televisãoJuntou dinheiro para poder viajarEscolha própria escolheu a solidão
Comia todas as menininhas da cidadeDe tanto brincar de médico aos doze era professorAos quinze foi mandado pro reformatórioOnde aumentou seu ódio diante de tanto terrorNão entendia como a vida funcionavaDescriminação por causa da sua classe e sua corFicou cansado de tentar achar respostaE comprou uma passagem foi direto a Salvador
E lá chegando foi tomar um cafezinhoE encontrou um boiadeiro com quem foi falarE o boiadeiro tinha uma passagemIa perder a viagem mas João foi lhe salvar:Dizia ele - Estou indo pra BrasíliaNesse país lugar melhor não háTô precisando visitar a minha filhaEu fico aqui e você vai no meu lugar
O João aceitou sua propostaE num ônibus entrou no Planalto centralEle ficou bestificado com a cidadeSaindo da rodoviária viu as luzes de natal- Meu Deus mas que cidade linda!No Ano Novo eu começo a trabalharCortar madeira aprendiz de carpinteiroGanhava cem mil por mês em Taguatinga
Na sexta feira ia pra zona da cidadeGastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhadorE conhecia muita gente interessanteAté um neto bastardo do seu bisavô
Um peruano que vivia na BolíviaE muitas coisas trazia de láSeu nome era Pablo e ele diziaQue um negócio ele ia começarE Santo Cristo até a morte trabalhavaMas o dinheiro não dava pra ele se alimentarE ouvia às sete horas o noticiárioQue sempre dizia que seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversaE decidiu que como Pablo ele iria se virarElaborou mais uma vez seu plano santoE sem ser crucificado a plantação foi começarLogo, logo os maluco da cidadeSouberam da novidade- Tem bagulho bom ai!
E o João de Santo Cristo ficou ricoE acabou com todos os traficantes daliFez amigos, freqüentava a Asa NorteIa pra festa de Rock pra se libertar
Mas de repenteSob uma má influência dos boyzinhos da cidadeComeçou a roubarJá no primeiro roubo ele dançouE pro inferno ele foi pela primeira vezViolência e estupro do seu corpo- Vocês vão ver, eu vou pegar vocês!
Agora Santo Cristo era bandidoDestemido e temido no Distrito FederalNão tinha nenhum medo de políciaCapitão ou traficante, playboy ou generalFoi quando conheceu uma meninaE de todos os seus pecados ele se arrependeuMaria Lúcia era uma menina lindaE o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casarE carpinteiro ele voltou a ser- Maria Lúcia pra sempre vou te amarE um filho com você eu quero ter
O tempo passaE um dia vem na porta um senhor de alta classe comdinheiro na mãoE ele faz uma proposta indecorosaE diz que espera uma resposta, uma resposta de João- Não boto bomba em banca de jornalNem em colégio de criançaIsso eu não faço nãoE não protejo general de dez estrelasQue fica atrás da mesa com o cu na mãoE é melhor o senhor sair da minha casaNunca brinque com um peixes de ascendente escorpiãoMas com justiça e, com ódio no olharO velho disse:- Você perdeu a sua vida, meu irmão!- Você perdeu a sua vida, meu irmão!- Você perdeu a sua vida, meu irmão!Essas palavras vão entrar no coração- Eu vou sofrer as conseqüências como um cão.
Não é que o Santo Cristo estava certoSeu futuro era incertoE ele não foi trabalharSe embebedou e no meio da bebedeiraDescobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiroQue também tinha dinheiro e queria se armarPablo trazia o contrabando da BolíviaE Santo Cristo revendia em Planaltina
Mas acontece que um tal de JeremiasTraficante de renome apareceu por láFicou sabendo dos planos de Santo CristoE decidiu que com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester 22E Santo Cristo já sabia atirarE decidiu usar a arma só depoisQue Jeremias começasse a brigar
Jeremias maconheiro sem vergonhaOrganizou a Roconha e fez todo mundo dançarDesvirginava mocinhas inocentesE dizia que era crente mas não sabia rezarE Santo Cristo há muito não ia pra casaE a saudade começou a apertar
- Eu vou me embora, eu vou ver Maria LúciaJá está em tempo de a gente se casarChegando em casa então ele chorouE pro inferno ele foi pela segunda vezCom Maria Lúcia Jeremias se casouE um filho nela ele fez
Santo Cristo era só ódio por dentroE então o Jeremias pra um duelo ele chamou- Amanhã, as duas horas na CeilândiaEm frente ao lote catorze é pra lá que eu vouE você pode escolher as suas armasQue eu acabo mesmo com você, seu porco traidorE mato também Maria LúciaAquela menina falsa pra que jurei o meu amor
E Santo Cristo não sabia o que fazerQuando viu o repórter da televisãoQue deu notícia do duelo na TVDizendo a hora o local e a razão
No sábado, então as duas horasTodo o povo sem demoraFoi lá só pra assistirUm homem que atirava pelas costasE acertou o Santo CristoE começou a sorrir
Sentindo o sangue na gargantaJoão olhou pras bandeirinhasE o povo a aplaudirE olhou pro sorveteiroE pras câmeras e a gente da TV filmava tudo ali
E se lembrou de quando era uma criançaE de tudo o que vivera até aliE decidiu entrar de vez naquela dança- Se a via-crucis virou circo, estou aqui.
E nisso o sol cegou seus olhosE então Maria Lúcia ele reconheceuEla trazia a Winchester 22A arma que seu primo Pablo lhe deu
- Jeremias, eu sou homem. Coisa que você não éE não atiro pelas costas, não.Olha prá cá filho da puta sem vergonhaDá uma olhada no meu sangueE vem sentir o teu perdão
E Santo Cristo com a Winchester 22Deu cinco tiros no bandido traidorMaria Lúcia se arrependeu depoisE morreu junto com João, seu protetor
O povo declarava que João de Santo CristoEra santo porque sabia morrerE a alta burguesia da cidade não acreditou na história
Que eles viram da TVE João não conseguiu o que queriaQuando veio pra Brasília com o diabo terEle queria era falar com o presidentePra ajudar toda essa gente que só faz sofrer!
4-Mais Uma Vez
Mas é claro que o sol vai voltar amanhãmais uma vez, eu seiEscuridão já vi pior, de endoidecer gente sãEspera que o sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que vocêmas deveria estar do lado de láTem gente que machuca os outrosTem gente que não sabe amarTem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como estámas eu sei que um dia a gente aprendeSe você quiser alguém em quem confiarConfie em si mesmoQuem acredita sempre alcança
Mas é claro que o sol vai voltar amanhãmais uma vez, eu seiEscuridão já vi pior, de endoidecer gente sãEspera que o sol já vem
Nunca deixe que lhe digam que não vale a penaAcreditar nos sonhos que se temOu que seus planos nunca vão dar certoOu que você nunca vai ser alguémTem gente que machuca os outrosTem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprendeSe você quiser alguém em quem confiarConfie em si mesmoQuem acredita sempre alcança...Quem acredita sempre alcança...Quem acredita sempre alcança...Quem acredita sempre alcança...
Tem gente que está do mesmo lado que vocêmas deveria estar do lado de láTem gente que machuca os outrosTem gente que não sabe amarTem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como estámas eu sei que um dia a gente aprendeSe você quiser alguém em quem confiarConfie em si mesmoQuem acredita sempre alcança
Mas é claro que o sol vai voltar amanhãmais uma vez, eu seiEscuridão já vi pior, de endoidecer gente sãEspera que o sol já vem
Nunca deixe que lhe digam que não vale a penaAcreditar nos sonhos que se temOu que seus planos nunca vão dar certoOu que você nunca vai ser alguémTem gente que machuca os outrosTem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprendeSe você quiser alguém em quem confiarConfie em si mesmoQuem acredita sempre alcança...Quem acredita sempre alcança...Quem acredita sempre alcança...Quem acredita sempre alcança...
Quem um dia irá dizer que existe razãoNas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizerQue não existe razão?
Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantarFicou deitado e viu que horas eramEnquanto Mônica tomava um conhaqueNoutro canto da cidadeComo eles disseram
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem quererE conversaram muito mesmo pra tentar se conhecerFoi um carinha do cursinho do Eduardo que disse- Tem uma festa legal e a gente quer se divertirFesta estranha, com gente esquisita- Eu não estou legal, não aguento mais biritaE a Mônica riu e quis saber um pouco maisSobre o boyzinho que tentava impressionarE o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa- É quase duas, eu vou me ferrar
Eduardo e Mônica trocaram telefoneDepois telefonaram e decidiram se encontrarO Eduardo sugeriu uma lanchoneteMas a Mônica queria ver o filme do GodardSe encontraram então no parque da cidadeA Mônica de moto e o Eduardo de cameloO Eduardo achou estranho e melhor não comentarMas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica eram nada parecidosEla era de Leão e ele tinha dezesseisEla fazia Medicina e falava alemãoE ele ainda nas aulinhas de inglêsEla gostava do Bandeira e do BauhausDe Van Gogh e dos MutantesDo Caetano e de RimbaudE o Eduardo gostava de novelaE jogava futebol-de-botão com seu avôEla falava coisas sobre o Planalto CentralTambém magia e meditaçãoE o Eduardo ainda estavaNo esquema "escola, cinema, clube, televisão"
E, mesmo com tudo diferenteVeio mesmo, de repenteUma vontade de se verE os dois se encontravam todo diaE a vontade cresciaComo tinha de ser
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografiaTeatro e artesanato e foram viajarA Mônica explicava pro EduardoCoisas sobre o céu, a terra, a água e o arEle aprendeu a beber, deixou o cabelo crescerE decidiu trabalharE ela se formou no mesmo mêsEm que ele passou no vestibularE os dois comemoraram juntosE também brigaram juntos, muitas vezes depoisE todo mundo diz que ele completa ela e vice-versaQue nem feijão com arroz
Construíram uma casa uns dois anos atrásMais ou menos quando os gêmeos vieramBatalharam grana e seguraram legalA barra mais pesada que tiveram
Eduardo e Mônica voltaram pra BrasíliaE a nossa amizade dá saudade no verãoSó que nessas férias não vão viajarPorque o filhinho do EduardoTá de recuperação
E quem um dia irá dizer que existe razãoNas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizerQue não existe razão?
The End!
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